segunda-feira, junho 11, 2007

Taina Santos - Flor de açucena

Flor de açucena

Quando deito com você,
Não existo mais sozinha.
Não me vejo, não vejo meu corpo
Carrego por instantes
Todos os sons indecifráveis e mudos
Emitidos por um único corpo.
Meu interior te abraça
Como uma coisa única, indivisível
As estrelas impenetráveis dessa noite
Não são maiores que o brilho
dos corpos únicos, de mãos e pernas duplos

Tainá Santos, 26/1/99

Taina Santos - Buscando você

Buscando você


Tua sombra,
me percorre o corpo,
gosto do calor, entranhas,
não vejo o pôr do sol, busquei,
quem busca a tua sombra, sou eu.

No entanto,
disfarço o meu espanto,
te amo e no entanto,
a fábrica de brinquedos, sou eu,
quem produz a tua sombra, sou eu.

Quem vai mover a fábrica, quem vai,
descobrir os meus sonhos, quem vai,
quem foi brincar no por do sol, quem foi,
pintar o arco íris quem foi,
buscar todo o seu ouro, fui eu.

Quem vai mover o mundo, quem vai,
andar como andarilho errante, quem vai,
quem foi atrás dos teus olhos, quem foi,
pintar todo o seu corpo quem foi,
buscar todo o seu olhar, fui eu.

Teus olhos,
me percorrem o corpo,
gosto do ritual, me chamas,
não vejo tua boca, busquei,
quem busca o seu amor, sou eu.

Tainá Santos Janeiro, 2002

Luiz Alberto Monteiro - Confissão

Confissão

Tenho dentro de mim duas almas permanentes
Nos sentimentos, a feminina regenera,
a masculina entorpece, as duas eu domino.
Nos acasos, a feminina agradece,
a masculina se encanta , as duas eu observo.
Nos devaneios, a feminina me devora,
a masculina me completa, as duas me encantam.
Com a feminina eu sinto pelo corpo todo,
com a masculina eu sinto pelos toques sutis
com as duas eu me completo e chego ao êxtase.
Na sensibilidade a feminina me abastece,
na força a masculina se intromete,
as duas me conduzem ao amor.

Rio 31/05/07