quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Teu sorriso - Luiz Alberto

Teu sorriso

Sou trapaceiro, desculpe, mas se assim faço,
é só pra ver teu sorriso, me esmero em palavras
me desdobro em historias, anedotas, mentiras.
Invento e desinvento a invenção, me desdobro.

Tens um sorriso doce, qual encanto da flor
que me atordoa com o perfume que exala
todas as vezes que a vejo no jardim,
saindo da clausura do ventre das folhas.

Sou sonhador, desculpe, mas se eu sonho,
é só pra ver teu sorriso maduro, generoso
me encanta a maturidade que ele expressa.

Tens um sorriso generoso, qual encanto
do entardecer de outono com a luz mágica,
que ilumina meus olhos de sonhador,
eterno pedinte do amor e encantos alheios.



Rio 08/02/07

Uma Rosa pra você - Luiz Alberto

Uma rosa pra você

Quem é você que de sobressalto do sonho acordei?
Busquei e vi nos vales encantados, os campos
de rosas que sonhava só para você. Por quê?
Confundo as rosas com o teu cheiro que ainda não senti.

Andando nas nuvens espessas, o amor desperta
cedo, só ele desperta cedo, do sono profundo
em que me vi buscando rosas só pra você.
Apareça, tenho uma rosa, a beijei, quero te dar.

Não vi teu rosto ainda e imaginei teu corpo,
Não vi tua mão ainda e já te dei rosas vermelhas.
Não vi teus seios ainda e já os beijei hoje.
E quando o beijei, arrepiei, engasguei, fiquei mudo.

Só inventei uma imagem com a voz que ouvi,
Pareço encantado com o som da tua voz,
mas ainda não te vejo, descubro e invento odores
de tua pele, imagino, que também se arrepiará à minha caricia.

Agora que sei inventar, também invento o sorriso
Que você me dá todas as vezes que lembra de mim.
Não vejo, mas inventei a ternura de teus olhos.
quando se lembra de mim e me imagina a beijar teu rosto.

Quando olhar uma rosa, imagina: é igual a que colhi nesse sonho,
Quando fizer caricias nos teus seios: lembre do meu beijo.
Cada ternura que seu rosto expressar, eu quero e imagino
- é a saudade que sente de mim.

Rio 18/01/07

Ventre da Terra - Luiz Alberto

Ventre da Terra

Nasci na água do ventre da terra,
sonhando por sonhos, promessas em vão,
descubro o entorno da vida, nos moldes de barro,
faço-os como a moldar meu rosto de criança.

Cresci mais um pouco, e achei a tarde,
na espera dos meus passos viris e lindos,
busquei no entorno dos caminhos, a vida
que, moleque que era, insistia em inventar.

Nesse caminho, descubro o brinquedo
estilingue, e lanço no ar a esperança
do sorriso eterno, que esqueci de guardar.

Cresci mais um pouco, e achei a noite,
na espera dos meus passos lindos e sutis,
busquei no entorno dos sonhos, o amor
que, teimoso que era, insistia em procurar.

Nesse caminho, descubro o amor
temporão, e sinto no ar o remorso
da alma, e vendo-me assim digo: enfim vou amar.

Itaipu, 29/11/06

Mar Quebrado - Luiz Alberto

Mar Quebrado

Flui o carinho nas pétalas molhadas,
das rosas plantadas na areia,
mar quebrado, me encanta os barulhos
que ouço agora, não ouvia antes, não sei.

Cansado - não ouço mais nada - durmo,
Sonhos no breu das orgias, dos eternos
beijos, que espanto senti agora. Quem foi ?
Quem corre na praia? Fico seco e teso no sonho.

Recebo a pergunta - parece brisa- Quem falou?
Respondo - não sei por que - Quem me perguntou?
Passa por mim, espuma branca, tons azuis, linda.

Espero a volta , e a olho de novo - lá se foi.
Olho as mãos pois meus pés somem sem eu ver,
parece que o mar quebrou de tanto barulho.

Itaipu 06/06/06