quarta-feira, maio 31, 2006

Encontro - Luiz Alberto

Encontro
Descaso das palavras que não achei,
No mundo que dispara vendo os sonhos,
Para dizer de você, só falar com você.
Aonde estão as palavras ?
Perambulo no êxtase da incerteza,
Olhando incógnito as marcas do passado,
Não vejo tudo, e não acho o caminho que passei.

Qual caminho eu antes passei ?
Lembro do vento que atordoa o silencio,
Lembro das palavras que relembra o esquecido,
Mas de nada adianta, não encontro o procurado ainda.

Quero todos os encontros nesse meu dia,
E passo e repasso todos os casos contados,
E sei, digo, falo, e ouço do tudo ou do nada,
E passo e repasso todos os encontros vividos.

Será que achei todos os meus encontros ?
E assim, possa dizer tudo, sentir tudo,
Acho sim e descrevo as estórias mal contadas,
Que li, ouvi e relembro atordoado e confuso.

Não fui na vida um poente desconcertante,
Nem um ocaso que inebria os sóis diários,
Sou apenas um vivente ansioso e sôfrego,
dos despertares alheios,
E dos meus encontros, que sempre acho, tardios.

Carrego tua imagem inventada, te vejo lindo!
Nunca te vi, ando por onde não passa.. não sei.
Sempre te vi nos retratos inventados... só assim consigo.
Um dia no rosto te beijo. Um dia recebo teu beijo.


Luiz Alberto Monteiro
Itaipú, 06/98

Minha menina - Luiz Alberto

Minha menina

Quem é você que nasceu ?
Sei que foi de mim e continua,
a geração nascida de meu gozo.
Liberte-se das amarras, vá a lua...
E traga de lá a liberdade.
Não sei se os meus olhos brilham
por espanto ou pranto de te ver,
mais sei que minha boca murchou,
e não fala tudo que sente.

Quem é você que nasceu ?
Cá fora tem um mundo grande, e
corre o mistério do ciclo eterno
que nasce, recomeça.
Não tem fim... Não tem espera...
Acredite na sua força menina,
sem ela não há mundo grande,
sem ela não há desacerto nem conserto
dos erros, dos rumos, das idas e vindas.

Quem é você que nasceu ?
Cá fora tem um sonho grande, e
pra virar verdade tem que derramar
a esperança, e a crença nos sonhos
nascidos com o seu caminhar.
Solta as amarras da candura
da tenra idade que tem agora, e
mantenha a mente liberta,
Não sonhe pelos sonos alheios.

Quem é você que nasceu ?
Não sei, nem te digo porque não sei,
fecho na clausura o meu espanto, e
espero teu crescer sem marcas alheias,
sem rimas, nem preces para o deus errante,
que marca e desmarca o ciclo da vida.
Não ande pelas pernas do mundo,
Os espelhos que colocarem nos teus sonhos,
quebre-os, pois da vida nada ensinam.

Itaipú, 27/06/1997